Prometeram picanha, entregaram abóbora: entenda por que falta proteína na sua dieta (e na sua energia)
- Juliana Palma
- 11 de nov.
- 5 min de leitura

Você já parou para pensar que a proteína e a água formam uma dupla inseparável para o funcionamento ideal do corpo? Enquanto a proteína é a base estrutural de músculos, hormônios e enzimas, a água é o meio que permite que tudo isso aconteça. Sem elas, não há metabolismo eficiente, energia duradoura nem saúde celular.
Neste artigo, vamos explorar o papel dessas duas protagonistas e mostrar como o nutricionista pode orientar seus pacientes a equilibrá-las na rotina diária para melhorar desempenho, composição corporal e bem-estar.
A proteína: tijolo estrutural da vida
As proteínas são macronutrientes formados por aminoácidos, conhecidos como os “tijolos” que constroem praticamente tudo no corpo — desde o cabelo até os anticorpos. Elas participam de processos fundamentais, como:
Construção e reparo de músculos e tecidos;
Produção de enzimas e hormônios;
Regulação do sistema imunológico;
Transporte de nutrientes e oxigênio pelo sangue.
Curiosidade: o termo “proteína” vem do grego proteios, que significa “de primeira importância” — um nome que já revela sua relevância biológica.
Entendendo os aminoácidos
As proteínas são formadas por 20 tipos de aminoácidos, dos quais 9 são essenciais — ou seja, precisam ser obtidos pela alimentação.
Os alimentos com todos os aminoácidos essenciais em quantidades adequadas são chamados de proteínas completas (como carnes, ovos, leite e soja). Já os alimentos vegetais, em sua maioria, são proteínas incompletas, mas podem se complementar entre si — por exemplo, arroz com feijão forma uma proteína completa.
Fontes de proteína: o que incluir no prato
Origem animal (alta biodisponibilidade):
Peito de frango, carne bovina magra, peixe e ovos
Queijo branco, iogurte natural e leite
Frutos do mar
Origem vegetal (excelente para diversificar):
Grão-de-bico, lentilha, feijão, soja
Quinoa e amaranto
Tofu e tempeh
📍 Dica de ouro: incentive o paciente a incluir uma fonte proteica em todas as refeições principais. Isso melhora a saciedade e ajuda no controle da fome emocional.
Quanto de proteína o corpo precisa?
A recomendação varia conforme o objetivo e o perfil do indivíduo:
Sedentários: 0,8 a 1,0 g por kg de peso corporal
Pessoas ativas: 1,2 a 1,8 g/kg
Atletas ou em ganho de massa: 1,8 a 2,2 g/kg
Em emagrecimento: 1,5 a 2,0 g/kg (ajuda a preservar massa magra)
Ex: Necessidade diária de proteína — Mulher 60 kg
Situação | Recomendação (g/kg) | Total diário (g) | Equivalente em alimentos |
Sedentária | 0,8 – 1,0 g/kg | 48 a 60 g/dia | ≈ 1 bife médio (100 g) + 1 ovo + 1 copo de leite |
Pessoa ativa (exercício leve/moderado) | 1,2 – 1,8 g/kg | 72 a 108 g/dia | ≈ 1 bife (100 g) + 1 filé de frango (100 g) + 2 ovos |
Atleta ou em ganho de massa | 1,8 – 2,2 g/kg | 108 a 132 g/dia | ≈ 2 bifes (200 g carne) + 1 filé de frango (100 g) + 2 ovos |
Em emagrecimento (para preservar massa magra) | 1,5 – 2,0 g/kg | 90 a 120 g/dia | ≈ 1 filé de frango (100 g) + 1 lata de atum + 2 ovos + 1 iogurte natural |
🍳 Referência de proteínas nos alimentos
Alimento | Quantidade |
1 bife (100 g carne bovina magra) | 26 g |
1 filé de frango (100 g) | 31 g |
1 ovo médio | 6 g |
1 copo (200 ml) de leite | 6 g |
1 iogurte natural (170 g) | 8–10 g |
1 lata de atum (120 g drenado) | 26 g |
2 colheres (sopa) de feijão | 7 g |
2 colheres (sopa) de lentilha | 8 g |
💡 Dica prática: Para uma mulher de 60 kg em emagrecimento (meta 90–120 g/dia), pode distribuir assim:
Café da manhã: 2 ovos + 1 copo de leite → 18 g
Almoço: 1 filé de frango (100 g) + feijão → 35 g
Lanche: 1 iogurte + 1 punhado de castanhas → 15 g
Jantar: 1 lata de atum + legumes → 30 g
➡️ Total: ~100 g de proteína
Esses valores são apenas referências gerais, cabendo ao nutricionista ajustar de forma personalizada com base na bioimpedância, rotina e exames laboratoriais.
A importância do timing proteico
Distribuir bem a proteína ao longo do dia é tão importante quanto o total ingerido. O ideal é não concentrar tudo no jantar — como acontece com muitos pacientes.
Exemplo de distribuição equilibrada:
Café da manhã: ovos mexidos + aveia com iogurte
Almoço: arroz integral + feijão + frango grelhado
Lanche: castanhas ou whey protein
Jantar: peixe + legumes + quinoa
Essa divisão estimula a síntese proteica contínua e melhora o metabolismo ao longo do dia.
💧 A água: o nutriente mais esquecido (e mais essencial)
A água é o nutriente mais abundante do corpo humano — representa de 55 a 70% do peso corporal — e participa de todas as reações metabólicas.
Mesmo uma leve desidratação (1 a 2%) já pode causar:
Queda no desempenho físico e mental;
Dores de cabeça e fadiga;
Diminuição da concentração e irritabilidade;
Retenção de líquidos (por paradoxo!);
Pele e intestino ressecados.
💦 Funções vitais da água no organismo
Transporte de nutrientes: leva vitaminas, minerais e glicose até as células.
Regulação térmica: mantém a temperatura corporal estável durante o exercício.
Lubrificação de articulações e órgãos.
Auxílio na digestão: participa da formação da bile e dos sucos digestivos.
Eliminação de toxinas: através da urina e do suor.
Sem água, nenhum metabolismo funciona plenamente — inclusive o das proteínas.
🧩 Proteína e água: como elas trabalham juntas
Quando a ingestão proteica aumenta (por exemplo, em dietas de emagrecimento ou ganho de massa), o corpo precisa de mais água para metabolizar os resíduos nitrogenados resultantes da quebra de aminoácidos.
Ou seja, aumentar proteína sem aumentar água é um erro comum, que pode sobrecarregar os rins e reduzir a eficiência metabólica.
👉 Regra prática para pacientes:Para cada 20 g de proteína, beba pelo menos 300 a 400 ml de água ao longo do dia.
🚰 Quanta água devemos beber por dia?
A recomendação mais usada é de 35 ml a 40 ml por kg de peso corporal, ajustando conforme clima e nível de atividade física.Exemplo:
Pessoa de 60 kg → 2,1 a 2,4 L/dia
Pessoa de 80 kg → 2,8 a 3,2 L/dia
💡 Mas o ideal é individualizar: pacientes que consomem muita fibra, café, chás ou praticam exercícios intensos precisam de ainda mais hidratação.
🥤 Estratégias práticas para aumentar o consumo de água
Comece o dia com um copo grande de água — ativa o metabolismo.
Use garrafas com marcações para lembrar de beber.
Aromatize naturalmente com rodelas de limão, hortelã ou pepino.
Combine com horários fixos: antes das refeições e entre consultas ou tarefas.
Inclua alimentos ricos em água: melancia, pepino, tomate e alface.
O segredo é tornar o ato de se hidratar um hábito automático e prazeroso.
Quando proteína e água se tornam vilãs?
Nenhum dos dois é perigoso — desde que consumidos com equilíbrio. Problemas surgem quando:
Há excesso de proteína sem acompanhamento profissional (risco renal);
Há pouca ingestão de água (aumenta a retenção e a sobrecarga);
Ou quando o paciente usa suplementos proteicos sem controle nutricional.
Por isso, a orientação do nutricionista é essencial: ele ajusta quantidades, combinações e horários de forma individual.
Conclusão: hidratar e nutrir é um ato de inteligência metabólica
A combinação certa de proteína e água otimiza o metabolismo, melhora o desempenho físico e regula o apetite. Juntas, elas formam a base da nutrição funcional e consciente — aquela que trata o corpo como um sistema vivo, e não uma planilha de calorias.
Se o paciente entende isso, ele passa a enxergar a alimentação como um aliado, e não como um castigo.



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