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Prometeram picanha, entregaram abóbora: entenda por que falta proteína na sua dieta (e na sua energia)

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Você já parou para pensar que a proteína e a água formam uma dupla inseparável para o funcionamento ideal do corpo? Enquanto a proteína é a base estrutural de músculos, hormônios e enzimas, a água é o meio que permite que tudo isso aconteça. Sem elas, não há metabolismo eficiente, energia duradoura nem saúde celular.

Neste artigo, vamos explorar o papel dessas duas protagonistas e mostrar como o nutricionista pode orientar seus pacientes a equilibrá-las na rotina diária para melhorar desempenho, composição corporal e bem-estar.


A proteína: tijolo estrutural da vida

As proteínas são macronutrientes formados por aminoácidos, conhecidos como os “tijolos” que constroem praticamente tudo no corpo — desde o cabelo até os anticorpos. Elas participam de processos fundamentais, como:

  • Construção e reparo de músculos e tecidos;

  • Produção de enzimas e hormônios;

  • Regulação do sistema imunológico;

  • Transporte de nutrientes e oxigênio pelo sangue.


Curiosidade: o termo “proteína” vem do grego proteios, que significa “de primeira importância” — um nome que já revela sua relevância biológica.


Entendendo os aminoácidos

As proteínas são formadas por 20 tipos de aminoácidos, dos quais 9 são essenciais — ou seja, precisam ser obtidos pela alimentação.

Os alimentos com todos os aminoácidos essenciais em quantidades adequadas são chamados de proteínas completas (como carnes, ovos, leite e soja). Já os alimentos vegetais, em sua maioria, são proteínas incompletas, mas podem se complementar entre si — por exemplo, arroz com feijão forma uma proteína completa.


Fontes de proteína: o que incluir no prato

Origem animal (alta biodisponibilidade):

  • Peito de frango, carne bovina magra, peixe e ovos

  • Queijo branco, iogurte natural e leite

  • Frutos do mar


Origem vegetal (excelente para diversificar):

  • Grão-de-bico, lentilha, feijão, soja

  • Quinoa e amaranto

  • Tofu e tempeh


📍 Dica de ouro: incentive o paciente a incluir uma fonte proteica em todas as refeições principais. Isso melhora a saciedade e ajuda no controle da fome emocional.


Quanto de proteína o corpo precisa?

A recomendação varia conforme o objetivo e o perfil do indivíduo:

  • Sedentários: 0,8 a 1,0 g por kg de peso corporal

  • Pessoas ativas: 1,2 a 1,8 g/kg

  • Atletas ou em ganho de massa: 1,8 a 2,2 g/kg

  • Em emagrecimento: 1,5 a 2,0 g/kg (ajuda a preservar massa magra)


    Ex: Necessidade diária de proteína — Mulher 60 kg

Situação

Recomendação (g/kg)

Total diário (g)

Equivalente em alimentos

Sedentária

0,8 – 1,0 g/kg

48 a 60 g/dia

≈ 1 bife médio (100 g) + 1 ovo + 1 copo de leite

Pessoa ativa (exercício leve/moderado)

1,2 – 1,8 g/kg

72 a 108 g/dia

≈ 1 bife (100 g) + 1 filé de frango (100 g) + 2 ovos

Atleta ou em ganho de massa

1,8 – 2,2 g/kg

108 a 132 g/dia

≈ 2 bifes (200 g carne) + 1 filé de frango (100 g) + 2 ovos

Em emagrecimento (para preservar massa magra)

1,5 – 2,0 g/kg

90 a 120 g/dia

≈ 1 filé de frango (100 g) + 1 lata de atum + 2 ovos + 1 iogurte natural

🍳 Referência de proteínas nos alimentos

Alimento

Quantidade

1 bife (100 g carne bovina magra)

26 g

1 filé de frango (100 g)

31 g

1 ovo médio

6 g

1 copo (200 ml) de leite

6 g

1 iogurte natural (170 g)

8–10 g

1 lata de atum (120 g drenado)

26 g

2 colheres (sopa) de feijão

7 g

2 colheres (sopa) de lentilha

8 g

💡 Dica prática: Para uma mulher de 60 kg em emagrecimento (meta 90–120 g/dia), pode distribuir assim:

  • Café da manhã: 2 ovos + 1 copo de leite → 18 g

  • Almoço: 1 filé de frango (100 g) + feijão → 35 g

  • Lanche: 1 iogurte + 1 punhado de castanhas → 15 g

  • Jantar: 1 lata de atum + legumes → 30 g

  • ➡️ Total: ~100 g de proteína


Esses valores são apenas referências gerais, cabendo ao nutricionista ajustar de forma personalizada com base na bioimpedância, rotina e exames laboratoriais.


A importância do timing proteico

Distribuir bem a proteína ao longo do dia é tão importante quanto o total ingerido. O ideal é não concentrar tudo no jantar — como acontece com muitos pacientes.

Exemplo de distribuição equilibrada:

  • Café da manhã: ovos mexidos + aveia com iogurte

  • Almoço: arroz integral + feijão + frango grelhado

  • Lanche: castanhas ou whey protein

  • Jantar: peixe + legumes + quinoa

Essa divisão estimula a síntese proteica contínua e melhora o metabolismo ao longo do dia.


💧 A água: o nutriente mais esquecido (e mais essencial)

A água é o nutriente mais abundante do corpo humano — representa de 55 a 70% do peso corporal — e participa de todas as reações metabólicas.

Mesmo uma leve desidratação (1 a 2%) já pode causar:

  • Queda no desempenho físico e mental;

  • Dores de cabeça e fadiga;

  • Diminuição da concentração e irritabilidade;

  • Retenção de líquidos (por paradoxo!);

  • Pele e intestino ressecados.

💦 Funções vitais da água no organismo

  1. Transporte de nutrientes: leva vitaminas, minerais e glicose até as células.

  2. Regulação térmica: mantém a temperatura corporal estável durante o exercício.

  3. Lubrificação de articulações e órgãos.

  4. Auxílio na digestão: participa da formação da bile e dos sucos digestivos.

  5. Eliminação de toxinas: através da urina e do suor.

Sem água, nenhum metabolismo funciona plenamente — inclusive o das proteínas.


🧩 Proteína e água: como elas trabalham juntas

Quando a ingestão proteica aumenta (por exemplo, em dietas de emagrecimento ou ganho de massa), o corpo precisa de mais água para metabolizar os resíduos nitrogenados resultantes da quebra de aminoácidos.

Ou seja, aumentar proteína sem aumentar água é um erro comum, que pode sobrecarregar os rins e reduzir a eficiência metabólica.

👉 Regra prática para pacientes:Para cada 20 g de proteína, beba pelo menos 300 a 400 ml de água ao longo do dia.


🚰 Quanta água devemos beber por dia?

A recomendação mais usada é de 35 ml a 40 ml por kg de peso corporal, ajustando conforme clima e nível de atividade física.Exemplo:

  • Pessoa de 60 kg → 2,1 a 2,4 L/dia

  • Pessoa de 80 kg → 2,8 a 3,2 L/dia

💡 Mas o ideal é individualizar: pacientes que consomem muita fibra, café, chás ou praticam exercícios intensos precisam de ainda mais hidratação.


🥤 Estratégias práticas para aumentar o consumo de água

  1. Comece o dia com um copo grande de água — ativa o metabolismo.

  2. Use garrafas com marcações para lembrar de beber.

  3. Aromatize naturalmente com rodelas de limão, hortelã ou pepino.

  4. Combine com horários fixos: antes das refeições e entre consultas ou tarefas.

  5. Inclua alimentos ricos em água: melancia, pepino, tomate e alface.

O segredo é tornar o ato de se hidratar um hábito automático e prazeroso.


Quando proteína e água se tornam vilãs?

Nenhum dos dois é perigoso — desde que consumidos com equilíbrio. Problemas surgem quando:

  • excesso de proteína sem acompanhamento profissional (risco renal);

  • pouca ingestão de água (aumenta a retenção e a sobrecarga);

  • Ou quando o paciente usa suplementos proteicos sem controle nutricional.

Por isso, a orientação do nutricionista é essencial: ele ajusta quantidades, combinações e horários de forma individual.


Conclusão: hidratar e nutrir é um ato de inteligência metabólica

A combinação certa de proteína e água otimiza o metabolismo, melhora o desempenho físico e regula o apetite. Juntas, elas formam a base da nutrição funcional e consciente — aquela que trata o corpo como um sistema vivo, e não uma planilha de calorias.

Se o paciente entende isso, ele passa a enxergar a alimentação como um aliado, e não como um castigo.

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